Santo Agostinho era um maníaco sexual. Ou assim gostaria de nos fazer crer. As suas famosas Confissões contêm páginas seguidas nas quais se mortifica por ser "o mais vil escravo das paixões ímpias" e por se entregar à "imundície da libidinosidade, o rio negro da luxúria do inferno".
As lutas introspectivas de S. Agostinho contra a tentação do sexo e contra a mãe dominadora (Santa Mónica, patrona das mulheres casadas), seguidas por uma crise espiritual e pela conversão ao cristianismo — que deixou detalhadamente descritas em páginas autobiográficas — levaram-no, em última instância, à sua maior contribuição para a Filosofia: a fusão das duas doutrinas do cristianismo e do neoplatonismo. Isto não só forneceu ao cristianismo um forte suporte intelectual, mas ligou-o à tradição filosófica grega. Deste modo, o cristianismo pode manter acesa a chama da Filosofia, ainda que de forma ténue, durante a Idade das Trevas.
Por detrás do teólogo imediatamente santificado após a sua morte, perseguidor incansável de todas as heresias contra a ortodoxia da Igreja, é assim possível encontrar ideias próprias importantes, incluindo teorias do tempo e do conhecimento subjectivo que anteciparam em muitos séculos o trabalho de Descartes e Kant.
Título original: St. Augustine in 90 Minutos
Tradução: Ana Marcos
Colecção: Filósofos em 90 minutos
Pp.: 64
Formato: 12 cm x 20 cm
ISBN: 972-670-344-1
Data de Edição: Setembro de 1999
6.35€